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sexta-feira, 15 de julho de 2011

Noticia - Marcelo Grohe alcança o auge na 7ª Temporada como profissional

Em janeiro do ano 2000 um olheiro do Grêmio observou, durante torneio disputado no litoral gaúcho, a desenvoltura de um menino atuando como goleiro. E o convidou para ser testado no centro de treinamentos do bairro Cristal, à beira das águas do Guaíba, em Porto Alegre.
Natural de Campo Bom, município próximo à capital, Marcelo Grohe apresentou-se dois meses depois. Com 13 anos, mal disfarçava a alegria proporcionada pelo clube do seu coração. Aprovado, de torcedor transformou-se em jogador.
Nestes onze anos dedicados ao Grêmio, Marcelo Grohe agregou alguns centímetros à própria estatura. No Olímpico viu passar a infância, a adolescência, e tornou-se adulto. Agora mede 1,88m, embora não seja físico o crescimento mais significativo.
Marcelo Grohe agigantou-se, de forma imensurável. Com ele à frente, as traves parecem mais próximas. A distância entre os postes, principalmente sob a perspectiva dos atacantes adversários, diminui dos 7,32 metros originais, assim como os 2,44 metros do gramado até o travessão encurtam drasticamente.

Marcelo Grohe, goleiro do Grêmio, há 11 anos no clube (Foto: Bruno Junqueira/TRATO.TXT)
Com 24 anos, ele alcança o auge na carreira, em sua sétima temporada como profissional pelo Grêmio. Tudo começou em 2005, ainda garoto, assistindo desde então à passagem de outros companheiros pelo time titular. Foi reserva de Galatto, Saja, e a partir de 2008 substitui Victor quando necessário.
E foram as convocações cada vez mais constantes do camisa 1 gremista que abriram novas oportunidades a Marcelo Grohe. Com o titular servindo à Seleção Brasileira, enfileirou boa sequência de jogos. Enquanto Victor não retorna da Copa América, aproveita para demonstrar o quanto amadureceu nestes onze anos de Grêmio.
- Sempre falo que me sinto mais experiente, mais maduro. É minha sétima temporada como profissional. Aprendi bastante, amadureci, fiquei mais experiente. Todo profissional evolui.
Pouco utilizado, Grohe era uma incógnita para os torcedores. A iminência de perder Victor para a Seleção provocava insônia entre os gremistas. Não haveria como o reserva equiparar-se ao titular, pensavam. Cinco jogos depois de ingressar na área tricolor como um gigante que tripudia dos oponentes ao bloquear com segurança conclusões que anunciavam-se indefensáveis, Grohe provoca outro tipo de dúvida nas arquibancadas: como recolocar Victor no gol sem cometer uma injustiça com Grohe?
Dos nove jogos disputados pelo Grêmio no Campeonato Brasileiro deste ano, Grohe foi o goleiro em cinco deles, enquanto Victor atuou nos quatro restantes. Ambos sofreram o mesmo número de gols - seis cada. Nas defesas realizadas, entretanto, o reserva supera o titular em duas estatísticas: Grohe fez 13 defesas difíceis, contra 7 de Victor; e outras 16 consideradas 'normais', o dobro exato na comparação com as 8 praticadas pelo companheiro.

Grohe praticou 29 defesas em 5 jogos no Brasileirão 2011 (Foto: André Durão / Globoesporte.com)
- Sempre trabalhei, sem desanimar. Sempre continuei focado. Tem que destacar ainda o trabalho do Chiquinho (Francisco Cersósimo, preparador de goleiros) e do Rogério, que substitui o Chiquinho quando ele está na Seleção - avaliou, humilde.
Este processo de agigantamento de Marcelo Grohe tem amparo técnico. Mais confiante, mais experiente, mais maduro, ele espreita adversário com a bola sem definir o próprio movimento. Espera o máximo de tempo até saltar para a defesa:
- Procuro sempre esperar o máximo possível pela definição do atacante. Nisso entra a experiência, a vivência. É possível imaginar o que vai acontecer na jogada, o goleiro já sabe onde o atacante provavelmente vai bater a bola. Mas para chegar nesse ponto é preciso jogar, a sequência é que te dá isso.
Para Marcelo Grohe, esta é uma característica da função. Enquanto os 'jogadores de linha' conseguem exercer o talento inato ainda jovens, os goleiros qualificam-se com o tempo, e conseguem postergar o final da carreira em função disto.
- O goleiro começa mais tarde, e vai até mais tarde, porque é uma posição que não desgasta tanto fisicamente. Na linha é mais fácil se destacar jovem, mas a carreira termina antes.
Enquanto se agiganta no gol do Grêmio, Marcelo Grohe adquire maior reconhecimento. Não apenas dos gremistas, mas também dos adversários. Agora os atacantes sabem o que ele pode fazer, e certamente vão se esmerar ainda mais na hora de vencê-lo. Por isso, o goleiro tricolor não deixa a boa repercussão de suas atuações embaçar a perspectiva.
- A exigência vai aumentando, nunca dá para ficar satisfeito. Tudo o que eu fiz é passado, no próximo jogo tenho que dar o melhor porque o goleiro não pode falhar. Depois de mim não tem mais ninguém para segurar. O goleiro pode ir bem em cinco jogos, fazer dez defesas, mas se falhar no próximo, é gol. O goleiro, quando joga, fica mais conhecido, e a tendência é ser visto de outra forma. Se o goleiro é mais novo, é desconhecido, o atacante vai testar mais, vai chutar de longe. É como o jovem na linha que começa a jogar e sofre aquela intimidação do zagueiro.
Grohe tem contrato com o Grêmio até outubro de 2012. E nem ele sabe o que acontecerá depois disso. O técnico Julinho Camargo já deixou claro que Victor é o titular, recuperando as luvas assim que retornar da Seleção. Aclamado por críticos e torcedores, Grohe prefere nem pensar neste futuro próximo.
- Pretendo ficar, cumprir meu contrato. Não sei o que pode acontecer. Falta mais de um ano ainda. Mas é natural que algum clube se interesse, por esta visibilidade, teria que ver com a família, com o Grêmio, o que é melhor. Mas não é nada anormal, tudo está tranquilo, e pretendo sempre ajudar o Grêmio - concluiu.

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